sábado, 3 de dezembro de 2011

poesia

“Rabisco coisas loucas em papel vital


Coisa banal a olhos insensíveis

Coisas minhas

Minhas palavras

Seus anseios...





Escrevo em mesa de bar barato

Onde a cerveja desce quente

E o cigarro purifica o ar

E o resto é pura sorte,

Sorte saber disso;

Não sofro com o futuro

Nem penso no passado,

Passo na vida de um modo cego





E a luz que se apaga nem me comove

Pois, a vida tem várias saídas

E refrões

E gritos

... e outras coisas pra se escrever”

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

zines e afins


ZINE E AFINS
A dificuldade em definir o que é um fanzine, onde e quando ele surgiu nos remete a tempos distantes. Como quando Gutemberg imprimiu seu primeiro impresso na sua invenção. Mas como sabemos, historicamente a sua impressão se trata da Bíblia Sagrada. E isto definitivamente não pode ser considerado um fanzine. Mas a partir deste ponto podemos confabular sobre as inúmeras impressões feitas a partir deste conceito de impressão. Mesmo sem a aproximação com a cultura alternativa (fenômeno moderno que nos remete aos conceitos da indústria cultural de massa). Podemos ir mais longe e supor que o derradeiro material “zinético” pode muito bem ter sido um
manuscrito com uma tiragem reduzidíssima, cunhado a base de nanquim, pena, e feito num couro de cabra. Tudo isso com a mesma dedicação que um zineiro moderno tem ao selecionar textos, escrever, diagramar, imprimir, xerocar, montar e distribuir as suas cópias.
O que é possível dizer sem achismos é que a história da imprensa no Bra$il pode falar bastante sobre o surgimento dos fanzines. Até a chegada da família real no Bra$il ,em 1808, os habitantes da colônia estavam proibidos de publicar qualquer tipo de jornal ou ofício, a ponto de não existirem prensas ou corporações de ofício capazes de imprimir documentos aqui na Terra Bra$ilis. Com a vinda da corte para o Brasil, o rei Dom João VI começa a criar instituições, como o Banco do Brasil, o Jardim Botânico e entre outras, a Impressão Régia, onde foi impresso o 1º jornal “oficial” brasileiro. A Gazeta do Rio de Janeiro, uma mera reedição da Gazeta de Lisboa, repleta de
listas de atos oficiais, resumos das folhas européias e louvores à família real. Jornais independentes, escritos por qualquer cidadão era proibidos, principalmente se ousassem tocar no assunto política.
Hipólito da Costa publicou a partir de 1808, o “Correio Brasiliense”, um jornal em língua portuguesa liberado de qualquer censura, que comentava aspectos da política do Império relativos ao Bra$il. O Correio Brasiliense influenciou o modo de fazer jornalismo político feito por aqui até os dias atuais, o impresso só viria a ser liberado apenas em 1821 após a Revolução do Porto. Na Segunda metade do século XIX, a imprensa européia, incorporou um novo recurso a impressão: a litogravura (técnica de impressão de imagens em pedra). Os jornais abrem então espaço para desenhos, fotos, caricaturas. Em 1876 surge no Bra$il a Revista Ilustrada, um jornal com charges e caricaturas de personalidades  da época que falava de
política de um forma que pessoas semi analfabetas e leigos podiam entender. Ângelo Agostini, o ser engajado que desenhava, escrevia, imprimia, publicava e distribuía o jornal, usava um traço cheio de humor e ironia para criticar políticos, empresários e fatos inacreditáveis de um país que então vivia entre a decadência do império e os ideais republicanos. A Revista Ilustrada guardava todos os aspectos de um fanzine dedicado aos quadrinhos, mas por ser de outra época talvez não entrasse no contexto de  fanzine, e como não trazia heróis musculosos, musas voluptuosas e dragões de sete cabeças em suas páginas dificilmente seria assim chamado. É difícil afirmar uma data precisa, tanto pela produção, como pela mutação do zines (formatos, época, estilos, etc...). Porém, para estes modernos tempos temos algumas outras especulações; Bom, dizem as más línguas que o zine (fanzine) como conhecemos hoje, surgiu na década de 1970, junto com o movimento punk na Inglaterra. Leonardo Panço (zineiro, colaborador e editor de zines) afirma que o primeiro zine que se tem notícia tinha por nome “Sniffin’ Glue” e fora editado pelos idos de 1976, na cena do punk inglês. Ao lado dessa versão existe outra onde diz que os zines teriam surgido lá pelos anos da grande depressão americana (1930). De acordo com essa versão, o primeiro zine da época então conhecido como Fanmag (fanatic magazine), foi publicado por Ray Palmer para o Science Correspondence Club, em maio de 1930. O tal Fanmag chamava-se “The Comet” e falava de cinema e literatura de ficção científica. É o que diz o zineiro Douglas Dickel, editor do “Music Zine”, e autor de monografia sobre o assunto.
Em geral, é um veículo de opinião “extra oficial”, que não está comprometido com empresas, organizações, governos, ou  instituições. Podemos dizer que os zines estão a serviço da “desorganização”, da difusão desordenada da informação, sem formatos preestabelecidos ou manuais de redação e estilo, mas que não deixam de criar em torno de si uma organização própria, com temas, público, linguagem e táticas de publicação. E por ser uma imprensa de cunho libertário/alternativo, os papeis são constantemente trocados, ou seja, o leitor de hoje é o editor de amanhã, e vice e versa. É quase inevitável associar a Cultura do Zine à Cultura Alternativa. Os zines estão onde as pautas dos jornais e revistas ainda não chegaram. “Os zines são a eminência parda da imprensa cultural brasileira. Tudo que os editores de cadernos culturais escrevem é dito antes nos zines, e muitos destes editores são ex fanzineiros” afirma Rodrigo Lariú, editor do zine Midsummer Madness, de 1989. (O Midsummer é um exemplo de como um fanzine despretensioso pode se tornar algo bem maior, e de
certa forma rentável; hoje o este zine é um selo de bandas independentes.
Os zines geram uma grande troca de informação entre seus leitores e editores, movimentam a cena underground recheada de novas bandas, ilustradores, jornalistas, escritores, poetas em busca de espaços e público. Neste sentido, o do porquê de sua existência está calcado em três pontos principais: a paixão por um determinado assunto ou prática; o desejo de expressão de ideias, pensamentos ou o que for, e a satisfação pessoal de ver a repercussão
pública de algo absolutamente autoral. Para Tom Leão, zineiro desde seus 13 anos e editor do “Rio Fanzine” (um verdadeiro fanzine dentro do Jornal O Globo): “Uma revista vendida numa banca de jornais não é um fanzine, qualquer outra forma de expressão escrita, no papel ou numa página da internet, e que circule livremente é um fanzine. O
tema é livre”.
O que é esse tal de fanzine?
 Sendo assim podemos destacar algumas características básicas dos zines: liberdade de expressão e temas, formatos variados, pequenas tiragens (no caso do papel), busca de satisfação pessoal por parte de editores e colaboradores, divulgação de ideias marcadas por um caráter autoral e a ausência de cunho comercial. Pegue uma folha de papel em branco, algumas revistas, desenhos, etc... E vá colando a sua maneira. Existem zines que nada tem de palavras, somente imagens que em comunhão uma com as outras formam “textos” incríveis. Se for o caso “escaneie” suas imagens preferidas vá montando no computador. Depois é só imprimir, fazer algumas cópias e distribuir a seus amigos.

poesia


“Fragmento-me em selos, espelhos, dores
Odores (seus) que não apalpei
Não amei, nem queria...
Escorrego-me por seus dedos, mãos, seios
Numa água onde se morre de susto,
Uma gorda anoréxica vontade de sofrer

E se de súbito gritar:
 - Aqui estou?

Assustar-te-ia ludicamente em roteiros quebrados?
Sofro muito a sua falta
Falta de sua avançada idade musical,
Mas é tudo tão efêmero.

Venha!
Corte mais uma vez meu pescoço
Vingue-se em minhas veias
Meus anseios de menino vaidoso
Sempre me obrigam a lhe querer um pouco mais
Sempre assim
Antropofagicamente”
Poema originalmente escrito em 23 de fevereiro de 2007, adaptado em 16 de outubro de 2011.
Silhueta Art Zine, edição número 54 (outubro de 2012)

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

zines e afins dados e história

ZINE E AFINS


A dificuldade em definir o que é um fanzine, onde e quando ele surgiu nos remete a tempos distantes. Como quando Gutemberg imprimiu seu primeiro impresso na sua invenção. Mas como sabemos, historicamente a sua impressão se trata da Bíblia Sagrada. E isto definitivamente não pode ser considerado um fanzine. Mas a partir deste ponto podemos confabular sobre as inúmeras impressões feitas a partir deste conceito de impressão. Mesmo sem a aproximação com a cultura alternativa (fenômeno moderno que nos remete aos conceitos da indústria cultural de massa). Podemos ir mais longe e supor que o derradeiro material “zinético” pode muito bem ter sido um

manuscrito com uma tiragem reduzidíssima, cunhado a base de nanquim, pena, e feito num couro de cabra. Tudo isso com a mesma dedicação que um zineiro moderno tem ao selecionar textos, escrever, diagramar, imprimir, xerocar, montar e distribuir as suas cópias.

O que é possível dizer sem achismos é que a história da imprensa no Bra$il pode falar bastante sobre o surgimento dos fanzines. Até a chegada da família real no Bra$il ,em 1808, os habitantes da colônia estavam proibidos de publicar qualquer tipo de jornal ou ofício, a ponto de não existirem prensas ou corporações de ofício capazes de imprimir documentos aqui na Terra Bra$ilis. Com a vinda da corte para o Brasil, o rei Dom João VI começa a criar instituições, como o Banco do Brasil, o Jardim Botânico e entre outras, a Impressão Régia, onde foi impresso o 1º jornal “oficial” brasileiro. A Gazeta do Rio de Janeiro, uma mera reedição da Gazeta de Lisboa, repleta de

listas de atos oficiais, resumos das folhas européias e louvores à família real. Jornais independentes, escritos por qualquer cidadão era proibidos, principalmente se ousassem tocar no assunto política.

Hipólito da Costa publicou a partir de 1808, o “Correio Brasiliense”, um jornal em língua portuguesa liberado de qualquer censura, que comentava aspectos da política do Império relativos ao Bra$il. O Correio Brasiliense influenciou o modo de fazer jornalismo político feito por aqui até os dias atuais, o impresso só viria a ser liberado apenas em 1821 após a Revolução do Porto. Na Segunda metade do século XIX, a imprensa européia, incorporou um novo recurso a impressão: a litogravura (técnica de impressão de imagens em pedra). Os jornais abrem então espaço para desenhos, fotos, caricaturas. Em 1876 surge no Bra$il a Revista Ilustrada, um jornal com charges e caricaturas de personalidades da época que falava de

política de um forma que pessoas semi analfabetas e leigos podiam entender. Ângelo Agostini, o ser engajado que desenhava, escrevia, imprimia, publicava e distribuía o jornal, usava um traço cheio de humor e ironia para criticar políticos, empresários e fatos inacreditáveis de um país que então vivia entre a decadência do império e os ideais republicanos. A Revista Ilustrada guardava todos os aspectos de um fanzine dedicado aos quadrinhos, mas por ser de outra época talvez não entrasse no contexto de fanzine, e como não trazia heróis musculosos, musas voluptuosas e dragões de sete cabeças em suas páginas dificilmente seria assim chamado. É difícil afirmar uma data precisa, tanto pela produção, como pela mutação do zines (formatos, época, estilos, etc...). Porém, para estes modernos tempos temos algumas outras especulações; Bom, dizem as más linguas que o zine (fanzine) como conhecemos hoje, surgiu na década de 1970, junto com o movimento punk na Inglaterra. Leonardo Panço (zineiro, colaborador e editor de zines) afirma que o primeiro zine que se tem notícia tinha por nome “Sniffin’ Glue” e fora editado pelos idos de 1976, na cena do punk inglês. Ao lado dessa versão existe outra onde diz que os zines teriam surgido lá pelos anos da grande depressão americana (1930). De acordo com essa versão, o primeiro zine da época então conhecido como Fanmag (fanatic magazine), foi publicado por Ray Palmer para o Science Correspondence Club, em maio de 1930. O tal Fanmag chamava-se “The Comet” e falava de cinema e literatura de ficção científica. É o que diz o zineiro Douglas Dickel, editor do “Music Zine”, e autor de monografia sobre o assunto.

Em geral, é um veículo de opinião “extra oficial”, que não está comprometido com empresas, organizações, governos, ou instituições. Podemos dizer que os zines estão a serviço da “desorganização”, da difusão desordenada da informação, sem formatos preestabelecidos ou manuais de redação e estilo, mas que não deixam de criar em torno de si uma organização própria, com temas, público, linguagem e táticas de publicação. E por ser uma imprensa de cunho libertário/alternativo, os papeis são constantemente trocados, ou seja, o leitor de hoje é o editor de amanhã, e vice e versa. É quase inevitável associar a Cultura do Zine à Cultura Alternativa. Os zines estão onde as pautas dos jornais e revistas ainda não chegaram. “Os zines são a eminência parda da imprensa cultural brasileira. Tudo que os editores de cadernos culturais escrevem é dito antes nos zines, e muitos destes editores são ex fanzineiros” afirma Rodrigo Lariú, editor do zine Midsummer Madness, de 1989. (O Midsummer é um exemplo de como um fanzine despretensioso pode se tornar algo bem maior, e de

certa forma rentável; hoje o este zine é um selo de bandas independentes.

Os zines geram uma grande troca de informação entre seus leitores e editores, movimentam a cena underground recheada de novas bandas, ilustradores, jornalistas, escritores, poetas em busca de espaços e público. Neste sentido, o do porquê de sua existência está calcado em três pontos principais: a paixão por um determinado assunto ou prática; o desejo de expressão de ideias, pensamentos ou o que for, e a satisfação pessoal de ver a repercussão

pública de algo absolutamente autoral. Para Tom Leão, zineiro desde seus 13 anos e editor do “Rio Fanzine” (um verdadeiro fanzine dentro do Jornal O Globo): “Uma revista vendida numa banca de jornais não é um fanzine, qualquer outra forma de expressão escrita, no papel ou numa página da internet, e que circule livremente é um fanzine. O

tema é livre”.

O que é esse tal de fanzine?

Sendo assim podemos destacar algumas características básicas dos zines: liberdade de expressão e temas, formatos variados, pequenas tiragens (no caso do papel), busca de satisfação pessoal por parte de editores e colaboradores, divulgação de ideias marcadas por um caráter autoral e a ausência de cunho comercial. Pegue uma folha de papel em branco, algumas revistas, desenhos, etc... E vá colando a sua maneira. Existem zines que nada tem de palavras, somente imagens que em comunhão uma com as outras formam “textos” incríveis. Se for o caso “escaneie” suas imagens preferidas vá montando no computador. Depois é só imprimir, fazer algumas cópias e distribuir a seus amigos.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

sem titulo

“E o resto do frio me encurtava


Seguia minha busca noite adentro

Munido de alma repleta de sonhos,

Tinha algo em mim que era segredo...

Aquilo que ainda ficava em mim

Aquecia-me no final do inverno

E não me extinguia.

Pois, sua força, me dava vontade

Seu silêncio me cutucava

E o frio lutava em meu corpo

Já não sentia nada além de sono,

Calei-me, apaguei as luzes

E no chão adormeci.”

terça-feira, 6 de setembro de 2011

poesia

“Posso ser sua palavra, língua, vontade...


Posso ser a luz que lhe apresenta o dia

Ser a brisa que divide a tarde em noite

O calor

A lua

A rua.

Posso ser sua dança

Felicidade de criança

Emoção de toque

Posso ser tudo que ambicionas

Posso ser-te, ter-te

Posso ser a palavra de sua coleção

Ser seu nome e lugar

Coisa que vem e fica e marca

Ser a espera de sua volta

A criação de sua saudade sentida

Posso ser felicidade em sua volta

Sorriso

E espera”



Rio de Janeiro, 16 de agosto de 2011

domingo, 31 de julho de 2011

recorte para Livro Soco no Olho 2011

“A poesia que agride
Morde
Assopra
Nem dói,
Por que...

A arte bate
Com a sabedoria de quem
Colhe flores”

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Encontros Poéticos - Santa Teresa - 2011 maio

Poesia Na Praça – projeto 2011




Encontros mensais onde novos e renomados artistas podem mostrar seus trabalhos, trocar experiências, estabelecer contatos, vender seus livros, quadros, peças de arte em geral. Só lembrando que não se trata de uma feira de arte, muito menos de artesanato! A proposta é nos encontrar e organizar grupos para que possamos avançar com nossos projetos e sonhos.



Neste encontro que abre a série 2011, teremos a participação de amigos escritores, músicos, artistas de rua, pintores, ilustradores, malabaristas, poetas, pessoas envolvidas com a produção cultural e educacional em nossa cidade.



15 horas, do dia 07 de maio de 2011, sábado.

E que se alastrará por tarde da noite.



Neste primeiro encontro teremos a participação mais que especial de:

Nelson Neto (RJ), Benny Klain e banda, Mr. Godô Quincas (RJ), Rogério Snatus (BA), Bárbara Barroso (RJ), Rogério Salgado (MG), Gustavo Figueredo (RJ), Monotelha (RJ), Outras Dimensões Produções Culturais (RJ), Jornal “Impresso das Comunidades” (Niterói), Thiago Carvalho (RJ), Banda Repressão Social (RJ), Paulinho e Marina, poetas (RJ), Rogério Salgado e Virgilene Araujo (MG), Thiago Bardo (RJ), e muitos outros.



Contaremos no dia com apresentações musicais, “gogo aberto”, performances, leitura de poemas consagrados, lançamento de zines e livros (Preto Nu Branco de Rômulo Ferreira), lançamento nacional da revista de Cultura “Acre”, além das costumeiras surpresas e do choque de ordem (precisamos de um numero elevado de pessoas na praça no dia do evento para que este se consolide como uma alternativa gratuita de cultura).



No mesmo dia estaremos conversando acerca do ocorrido meses atrás no centro cultural Banco do Brasil, onde houve truculência e censura por parte da direção do centro cultural há alguns poetas atuantes.



Contamos com a presença de todos nesta empreitada!



Informações adicionais:

Rômulo Ferreira

21-7696-2189

romulopherreira@gmail.com

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